domingo, 29 de novembro de 2009

A arte de acertar estando errado e vice-versa

Fim de ano sempre é movimentado, talvez, por isso, o blog tenha ficado tanto tempo parado. Mas, durante esse tempo, eu li um pouco,me informei mais a cada dia. Hoje não vou falar de casos específicos, como o escândalo do Arruda, ou então da mídia brasileira sensacionalista e pseudo-interessada em mulheres com vestido curto, ou até mesmo das eleições de Honduras e da posição do governo brasileiro. Mas, o problema de qual falarei está intrínseco a tudo isso. A dicotomia imposta a todos nós desde pequenos, o famoso Bem versus Mal.

Desde pequenas as crianças são induzidas a acreditar que tudo se resume nessa oposição. Histórias infantis e os filmes da Disney fazem questão de deixar isso explicito. O príncipe, de coração bom sem nenhum defeito e com inúmeras qualidades contra a bruxa ou o dragão, que são a maldade personificada. Aí crescemos, entramos na puberdade, época em que os pré-adolescentes e os adolescentes tentam descobrir quem eles são e em que eles acreditam e começam os filmes de Hollywood, o herói do filme contra o vilão destes.

Essa dicotomia está tão impregnada na natureza humana que até no socialismo ela está presente. Marx e Engels se utilizam dessa quando tratam o caso “Operários x Burgueses”, Tratando sempre dos operários como pessoas do bem e os burgueses como pessoas más que não se importam nunca com seus operários. Apesar de isso acontecer de forma mais frequente do que o desejado não se deve pensar sempre que donos de empresas são os caras malvados e pobres são as pessoas justas.

Para o resto do texto utilizarei o termo "burgueses" para o lado do "mal" e operários para o lado do "bem". Entretanto, não pensem que estou cometendo o mesmo erro de Marx e Engels.

Todos sonham com um mundo melhor. Alguns planejam lutar por isso. Mas, para alcançar essa tão cobiçada meta é necessário entender que essa dicotomia não existe. Há burgueses bons da mesma forma que operários “do mal” não são raros. A velha batalha ideológica do "POBRE É POBRE PORQUE NÃO VAI ATRÁS DE TRABALHO, NÃO SE ESFORÇA" ou a tese, que por sinal é a que nosso presidente adere do, "POBRE É POBRE PORQUE NÃO TEM APOIO, SEJA DO ESTADO OU QUALQUER OUTRO MEIO". Basicamente, isso quer dizer que, existem uns que defendem que aquele que não vai atrás de trabalhar, de vencer na vida é pobre. Por outro lado, os que dizem que sem apoio de outrem um pobre não consegue atingir o sucesso tão desejado por cada ser humano.

O único erro dessas afirmações está no de "se uma está certa, a outra está errada", que é causado justamente pelo dualismo do "Bem x Mal", que está intrínseca na mente humana. Uns assumem como premissa verdadeira a tese de "O pobre é o cara justo, de coração bom. Ele é do bem" outros assumem a tese de "O pobre é o cara preguiçoso, não quer trabalhar. Ele é do mal". Existem pessoas que se encaixam nas duas teses, e são utilizadas para provar cada ponto de vista.

O ser humano é único. Não existe "repetição de pessoas". Ou seja, aplicar a mesma tese a todos significa condená-la ao erro.

Talvez consigamos um mundo melhor à medida que entendermos que é necessário parar com a tão dita dicotomia. Quando nos dermos conta que todo e qualquer ser humano tem direito a ajuda. Quando pararmos de fechar os vidros dos nossos carros quando alguém vier em nossa direção quando o semáforo estiver fechado. Quando começarmos a dar bom dia para as pessoas que por um motivo ou outro aparecem em nossas vidas. É tão simples começar que parece mentira. Dentre muitas coisas que meu professor de geografia me ensinou esse ano, uma ficou marcada profundamente em minha mente. No último dia de aula ele nos ensinou a "sentir o mundo” e, em meio a seus exemplos certeiros ele disse uma coisa que certamente mudou meu jeito de pensar. E o que ele disse foi mais ou menos o seguinte:

“Não se feche da próxima vez que você estiver andando e encontrar alguém dormindo na rua, pedindo esmola, alguém que vive a margem da sociedade. Estenda a mão e diga um bom dia. Não coloque um bloqueio mental para as coisas feias do mundo. Não se esconda delas, enxergue-as e então as sinta, que só assim a gente muda o mundo."

Entre tantas outras coisas que aprendi esse ano, essa é uma da qual tenho em mente que todos devem aprender. E que a partir de hoje, tentarei não só fazê-lo como também ensinar a quem puder.