sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E mais uma vez, a educação.

Boa noite leitores! Hoje vai ser um pouco diferente. Depois de ler o post do Flávio, muito bom por sinal, vou tentar fazer um paralelo da educação com o DF.

Que a educação pública no Brasil é lamentável todo mundo já está careca de saber, reportagens nos jornais sobre escolas abandonadas, onde quase não há professores e muitas vezes o professor que vai dar aula está de má vontade e sem dedicação. Mas, como julgar esses professores? Para termos uma ideia de comparação um professor de medicina com mestrado, que trabalha na universidade de Brasília, UnB, ganha 1.800 reais. Então, imagine você, quanto um professor de ensino fundamental e médio na escola pública ganha.

E o que o governo tem feito para combater isso? Obras públicas. Pois é, mais uma vez não investimos em educação para priorizarmos políticas assistencialistas para garantir voto e uma reeleição de nosso querido governador e seu vice, atualmente, José Roberto Arruda e Paulo Octávio. Para mostrar um pouco disso vou contar uma história que eu vivi.

Há umas semanas atrás meu colégio, Leonardo da Vinci, fez 40 anos de existência. Eu não sei se isso é bom ou ruim, já que nós pagamos educação duas vezes: primeiro em nossos impostos e depois na salgada mensalidade da escola particular. Mas, enfim, a escola fez um festão para seus 40 anos, ofereceu duas palestras com o Amyr Klink e com o Steven Dubner, muito boas por sinal, e quando tudo estava indo muito bem um dos donos da escola chama para falar umas palavras e oferecer uma espécie de premiação do governo para escola o vice-governador Paulo Octavio. Será que naquela hora só eu fiquei extremamente indignado? Quer dizer, o nosso vice-governador indo à uma festa de 40 anos de existência de uma escola particular e ainda por cima premia-la. Será que ele não deveria querer festejar os 40 anos de uma escola pública e nós, cidadãos, não deveríamos ficar indignados com a aparição dele no evento do Leonardo da Vinci? Bom, eu sei que eu fiquei.

Como já foi dito, a educação é imprescindível para o desenvolvimento de um país, em qualquer setor, mas é necessário que toda a população tenha acesso a ela. Logo, o salário de um professor deveria ser muito maior do que é, a estrutura das escolas públicas tinham que ser modernizadas e, certamente, é necessário que haja uma manutenção das escolas. A população urge por um sistema de ensino eficiente. O trabalho como professor é uma profissão que deveria ser muito reconhecida e admirada. Afinal, existe coisa mais nobre que ensinar?

Como já é de praxe, minha opinião de como resolver esse problema é: Vamos parar de nos preocupar apenas com políticas assistencialistas, é claro que elas são importantes, mas apenas quando utilizadas dentro de seus propósitos: ser uma medida com tempo determinado enquanto as outras medidas não surtam efeito. Porém, precisamos entender que a educação é a base para tudo. Então não vamos nos conformar com um político que faz apenas uma coisa: Obra pública, que, por sinal, foi o que o Arruda fez. Contratou empreiteiras suspeitas, e conseguiu o que ele queria acordos e notas fiscais superfaturadas, desviando dinheiro público, dinheiro esse que deveria estar sendo investido em escolas.

28 comentários:

Maiara disse...

populismo acaba com o mundo! huaehue

Flávio Wolff disse...

Muito bom, Caião.
O problema é que medidas assistencialistas (bolsa-escola, bolsa família, etc) trazem o que a maioria dos políticos querem: voto. Daí o motivo deles só se preocuparem com elas, e ignorarem a solução real, com educação, ensinando o pescador a pescar.

Pedro Miguel disse...

não li por pressa, mas quanto ao seu comentario no outro topico, não concordo, acredito qe os politicos sejam laranjas do partido, principalmente o lula. eles são atores e atuam como os presidentes do partido querem... devemos votar pelo partido e pelo politico sim. porque o partido influencia mais do qe o proprio politico

Cacaxo disse...

Pedro tanto não é, que só quem quer que a Dilma seja candidata à presidencia é o Lula. Mas, ninguém do PT se atreve à ficar contra ele, ele é o "deus" do partido. Logo, se o partido estivesse acima dos candidatos não seria a Dilma que iria se candidatar para presidencia...

gui disse...

concordo com o miguelito.
um politico nao consegue governar e fazer da sua maneira sem o partido por tras.
o politico e o partido andam juntos, portanto, devemos olhar sim o partido e o politico

Ila Marinho disse...

Acredito que o político seja uma reflexão do seu partido,mas isso muda quando o cara é eleito presidente.Taí o caso de só o Lula querer que a Dilma se candidate,como o Caio disse.Mas acho que isso é inevitável,a presidência sobe à cabeça e tal.O cara acaba se esquecendo das vontades e dos valores do partido.

Maiara disse...

o partido influencia as 'táticas', os planos da pessoa, sim, porque ela escolheu tal partido. embora talvez tenha escolhido tb por falta de opção... mas independente disso cada pessoa é diferente e tem um modo de agir diferente, assim como valores.

Larissa disse...

Muito bom o post, Caio, como eu já tinha comentado no msn (:
mas eu não concordo completamente com as suas idéias. vou resumir aqui a minha visão de governo atual porque do jeito que eu sou , ia terminar maior do que a Bíblia, mas a questão é a seguinte :
eu não acho a política do Arruda de toda ruim. Quer dizer, tudo bem que é claramente meio que uma compra de votos, já que é isso que eles podem aclamar nas propagandas políticas e toda essa história aí de acordos e notas fiscais superfaturadas . Mas , vendo por outro lado, ele faz bastante coisa com essa política assistencialista . Po , meu pai mora no Riacho Fundo e só quem vive la sabe o tanto que o lugar melhorou desde que o Arruda tomou posse . Iluminação , complexos esportivos pra tirar a criançada da rua , reformas nas escolas . Não estou defendendo nem fazendo propaganda , mas acho que vale a pena lembrar que ele não foi de todo ruim . Sei lá , me sinto um pouco injusta , sabe como é ?
Ainda assim , você tem razão quando diz que não houveram melhoras na educação. E não houveram mesmo ! O governo não quer saber de população mais bem informada , oras ! Por que você acha que eles fazem reformas de cima pra baixo ? Por que essas alterações no ENEM , ao invés de cuidar da educação básica , lá no fundamental ? Por que as pessoas que fazem ENEM serão os próximos eleitores e é assim que eles garantem a proxima candidatura !
O problema com o governo , e não só o brasileiro , é que ele não pensa na população. O governo não se preocupa com a miséria , o desemprego etc . O governo não procura criar medidas para que o seu povo viva bem e decentemente . A única coisa com o que o governo se preocupa é com o seu lucro , o próprio lucro . É por isso que o mundo está se autodestruindo.
TÁ NA HORA DE MUDAR ! Continue com o óótimo trabalho , Caio , me carregue pra todas as manifestações que for que você sabe que eu vou com gosto e pode contar com o meu apoio sempre na luta conta a corrupção , a injustiça e esses safados que ganham seu lucro em cima do dinheiro do povo .
ps.: a 'escola da minha vida' perdeu pontos no meu conceito. Aliás , o Leonardo já tá em negativo, viu..

Piá disse...

Quanto ao salário do professor da UnB, isso depende de há quanto tempo ele leciona, que funções ele exerce, que cargo ocupa, qual sua qualificação, entre outros fatores. Olha as remunerações aqui: http://www.cespe.unb.br/CONCURSOS/DOCENTESUNB/
Acho que o problema da UnB é mais a obrigação do pesquisador lecionar além de pesquisar. Muitas vezes, o pesquisador fala mal português, não sabe dar aula, é grosseiro, já que está sendo forçado a praticar uma atividade da qual não gosta. A seleção de educadores é deficiente, o que provoca obviamente um decréscimo na qualidade do ensino. Mas na universidade não é na aula que o aluno vai aprender, mas sim na marra de estudar pelos livros. O professor é mais um tira-dúvidas do que uma babá sapiente.
E sim, compartilhei da indignação contra a demagogia do governo do DF ao enviar seu vice-governador à premiação hipócrita em frente àquelas tantas pessoas. Como se eles se preocupassem realmente com a educação. Se se preocupassem, não estariam distribuindo prêmios para instituições particulares, mas tomando medidas no âmbito público, que é onde deve estar seu nariz, e não na câmera que tanto amam.

Cacaxo disse...

Larissa, como eu disse, as políticas assistencialistas não são ruins, o problema é que do jeito que são feitas elas não são assistencialistas, elas são vitalícias. E, por isso que não aprovo o governo do arruda. Eu concordo que muita gente foi ajudada. Só que elas ficam dependentes do governo, e isso não desenvolve o Brasil não melhora a condição de vida da população, portanto, não é um governo que eu quero pro meu país.

láári ! disse...

tá certo, certíssimo ! como eu disse , eu só me sentiria um pouco injusta se não citasse os pontos , digamos, positivos .
Cacaxo para presidente ! haha

Cacaxo disse...

Gustavo, a história do professor da UnB, é o seguinte, eu conheço uma pessoa formada em medicina e com mestrado na escola paulista de medicina e ele queria lecionar na UnB, porém com essa remuneração ele optou por não lecionar. Perceba que ele queria lecionar, e não ser pesquisador. Hoje ele leciona neurologia na UCB, universidade católica de brasília. Ou seja, o ensino público perdeu um excelente professor por baixa remuneração.

ANTONI VALDIR disse...

Caio, parabens pela forma com que você discute e levanta pontos tão polemicos com tanta maturidade! O importante, a meu ver, não é ter ou não ter razão, ou quem esta certo ou esta errado, o importante é que as pessoas formem opinião sobre o assunto, discutam e escolham o que querem. Quanto mais nossos jovens fizerem isso, mais teremos um Pais desenvolvido e um Brasil dos nossos sonhos !!!!! Tenho muito orgulho de você, de verdade !!

Piá disse...

Sim, claro, na página não mostram todos os salários. Mas o que eu quis dizer foi que, independentemente da remuneração, o que está muito ruim é a seleção de professores... Onde é que o povo meteu o Cristóvam Buarque? Quem irá nos defender?
Um dos grandes motivos do déficit do ensino público é a distribuição das responsabilidades entre os governos federal, estadual e municipal, que gerenciam respectivamente os ensinos públicos superior, médio e fundamental. Se o governo quer um bom resultado educacional, o melhor é cuidar do cidadão enquanto ele ainda está em desenvolvimento, e não tentar consertá-lo após já ter torcido o pepino. O Governo Federal tem influência mais eficiente no futuro do país quando gerencia o ensino fundamental. O cidadão hoje é formado por um governo, o municipal, que conta com recursos muito menores e mais fracos que os do governo federal.
Mas essa influência tem de ser bem medida - esse novo acordo com a Igreja Católica é o maior absurdo que eu já vi o Brasil fazer com a educação pública. O Brasil é um Estado laico, pô, não tem nada que se meter com religiões. Quem quiser ensino religioso, que procure a igreja mais próxima, não o Colégio Público.
Mãs, como disse a Larissa, "o governo não quer saber de população bem informada", e esse passo, o do ensino religioso, é um dos mais eficientes que pode ser dado no sentido de alienar o eleitor. Daqui a pouco, tão ensinando criacionismo nas escolas brasileiras... Tem coisa mais eficiente pra abafar a vontade crítica do indivíduo do que suprimir sua curiosidade científica, sua sede de investigação? A religião é contra esse princípio, essencial à democracia, de questionar a autoridade, a imposição, a "verdade revelada"...
"Foi-me revelado ontem em sonho que a educação brasileira está ótima! É o Governo Arruda se preocupando com a Educação!"

Piá disse...

Hehe, é o Governo tirando do nada (pra não dizer do c*) a sua preocupação com o Ensino Público...
Lembram da premiação? "O governo do distrito federal, ao conceder esse prêmio aos donos da escola, mostra sua preocupação com o ensino e a educação", ou coisa assim...

Cacaxo disse...

Haha, quando você fala do acordo com a ICAR, eu concordo em gênero, numero e grau com você. Ensino religioso você deveria estudar e escolher o seu. E não ser imposto quando você era pequeno, e quando tiver 15 anos você ser da religião X e não saber nem o porque nem quando. Mas enquanto der dinheiro pro Estado esta tudo bem né. como disse meu professor de geografia: "O Estado não tem que ter lucro, ele NÃO é empresa" . Achei genial essa frase.

Maiara disse...

Eu tenho o Cristovam no twitter ehauheuhaeuhae ele mete o pau em todo mundo! enfim...
acho que melhorar a iluminação pública e criar quadras de esportes não é política assistencialista, ao contrário de dar cestas básicas e fazer obras desnecessárias e o sistema de cotas. Falei ontem com um estudante de medicina da unb e ele disse que quem ganha salário baixo assim é professor subistituto, que é tipo depois do assistente, ou seja, a última opção...

Cacaxo disse...

Iluminação, quadras poliesportivas, são investimentos em infraestruturas, que é bom. O problema é SÓ fazer isso. E deixar de lado, por exemplo, a educação.

Piá disse...

O tragicômico é a construção de hospitais altamente divulgada por aí. O problema é que não tem tanto médico quanto prédio. De que adianta uma boa infraestrutura sem uma boa equipe???
Enquanto isso, o povo vai aplaudindo o que não vê que é demagogia...

Piá disse...

Outro exemplo de demagogia:
"Construíram ciclovias no Lago Sul! Mais uma obra estupenda do Governo Arruda!! Uhul, vamos comemorar!"
Meia hora depois:
"Mas peraí... onde foi parar o acostamento??"

Unknown disse...

Parabéns pelo post cacaxo. Cada dia melhor com o blog :)

Maiara disse...

sim, eu sei... mas não acho que é populismo, é algo que eles têm que fazer também.

Cacaxo disse...

Maiara, ai eu discordo de você. É populismo sim, fazer quadras, viadutos e pontes é tipo: Olha que quadra legal foi o ARRUDA que fez. Entende ?

Piá disse...

Assim, é que eles REALMENTE transformaram o acostamento em "ciclovia". Vai ser uma ciclovia realmente segura, ah, isso vai! E os ciclistas vão até ajudar a parar os carros estragados que rumarem ao acostamento (pra não dizer "invadirem a ciclovia"). O problema é ter hospital - E MÉDICO - pra ajudar os ciclistas, né...

Flávio Wolff disse...

Obras públicas devem ser feitas, mas não com mais prioridade que investimentos sólidos em educação e outras questões mais importantes.

BelaK. disse...

Fazer quadras, viadutos, pontes, parquinhos e seiláoquemais não devia ser prioridade em nenhum governo, principalmente quando se tem muita coisa a fazer para melhoria da qualidade de vida de quem não tem sequer o que comer, onde morar ou mesmo trabalho e oportunidades. E eu acho, Maiara, que se enquadram perfeitamente no meu ver de obras 'desnecessárias'.

Maiara disse...

são desnecessárias no plano piloto, sim, mas em cidades do entorno que têm estrada de chão não são não. não tô falando que só isso é o bastante, e sim que isso também é necessário. e de colocar nome por colocar nome, político que não faz propaganda do que faz não é reeleito, né.
e antes que me xinguem (hueauha), eu acho que ficar fazendo obras só pra dar emprego é o fim da picada, até mesmo pelo material 'desperdiçado'. mas, como em tudo na vida, o que manda na política é o bom senso, ou seja, fazer de tudo do melhor modo possível. se não é do melhor modo já é outra história...

chico leite disse...

Bela posição,Caio.As políticas de descriminação positiva,necessárias em uma sociedade com uma elite dominante que cultiva a segregação há quinhentos anos,devem ser emergenciais e trazer consigo a capacidade de gerar alternativas de caminho próprio para o beneficiário,sob pena de solidificar a dependência e a dominação,e não de proporcionar a independência,como se diz pretender.Definitivamente,só a educação liberta.Parabéns.