"De que adianta poder falar se ninguém mais quer escutar" ( Francisco Júnior, Professor de Geografia)
Edit: Galera, eu sei que ficou muito grande, mas leiam, por favor. Prometo que não vai ser em vão.
Bom, primeiramente, boa noite. Hoje será um pouco diferente, vou falar sobre uma parte da história do Brasil para tentar fazer com que você, leitor, comece a pensar mais e para podermos um dia mudar o mundo.
A parte da história que lhes contarei é a parte que vai de 1964 até 1985, que ficou conhecido como a Ditadura Militar.
Bom, primeiro vamos ao contexto mundial que estávamos inseridos na época;
Com o fim da segunda Guerra Mundial e com a vitória dos aliados, principalmente os EUA e a Rússia, ex-URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o mundo passou a ser dividido em dois ideais: O ideal capitalista e o ideal socialista. Os EUA liderando o lado capitalista e a URSS liderando o lado socialista. Ai você começa a pensar: "Tá e o que a ditadura militar no Brasil tem haver com isso?" A resposta é simples: tudo. Primeiro que o Brasil como país chave na América do Sul tinha que escolher um lado, e os EUA iriam fazer de tudo para ter-nos ao seu lado. A segunda guerra acabou em 1945.
Avançando um pouco no tempo chegamos em 1961 com a posse do presidente eleito - Jânio Quadros - Após tomar posse Jânio governou por oito meses, no dia 25 de agosto de 1961 ele renuncia e diz a famosa frase "Forças ocultas me fazem renunciar”. Até hoje muito se discute sobre que forças seriam essas, alguns teorizando até ser o próprio Estados Unidos. Porém, com a renúncia dele quem iria assumir era seu vice João Goulart, Jango, que era acusado de ser socialista. No dia da renuncia Jango estava de visita à China, país socialista, o que reforçou as suspeitas. Entretanto, a constituição era clara: o vice-presidente deveria assumir o governo. E ai a coisa complicou de vez.
Grande parte dos militares e ministros tinham medo de que Jango ao assumir levasse o Brasil para o caminho socialista. Mas, mesmo assim existia gente a favor da posse de Jango, como o Leonel Brizolla que junto com o general Machado Lopes lideraram a "campanha pela legalidade" defendendo a posse de Jango. Mesmo com esse movimento a favor foi adotado, para Jango poder assumir, o parlamentarismo que dividiu parte dos poderes de Jango com um primeiro ministro. Porém após um plebliscito em que o povo deveria decidir se continuávamos no Parlamentarismo ou então voltaríamos para a República, resultado: a República venceu. Tudo o que os militares mais temiam.
Então em 1964 os militares aplicam um golpe, e tomam o poder, com apoio dos EUA. E aqui começam os desentendimentos. Uns dizem ser golpe e outros revolução. E ai entra meu ponto de vista, Jango era uma pessoa extremamente popular e suas medidas seriam extremamente beneficentes para o Brasil, e só não era bom para os Capitalistas que acreditavam que entraríamos no socialismo, e as pessoas alienadas que acreditavam no "comunista come criancinha" e para a elite brasileira. Logo, a meu ver, foi um golpe militar.
O primeiro presidente militar foi o general Castelo Branco, que dizia ser a favor da democracia, mas ao assumir toma uma posição totalmente autoritária e os anos de sofrimento e opressão começara. Logo ao assumir Castelo Branco estabelece eleições indiretas para presidente e dissolve os partidos políticos e deixou o bipartidarismo um que era a oposição, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que era controlado e o ARENA, que representava os militares.
Após o Castelo Branco quem assume é o general Costa e Silva. Seu governo foi marcado por várias manifestações sociais. A UNE, União Nacional dos Estudantes, organiza a passeata dos cem mil. E então recebemos o mais duro golpe de toda a ditadura, o AI-5, que entre outras coisas, fechou o congresso, acabou com o Habeas Corpus, enfim, era o término dos "anos tranquilos", já que agora a perseguição ficara mais forte e quase que legalizada. Muitas pessoas sumiram, eram presos pelos militares e sofriam torturas inimagináveis, e a família ficava em estado de terror e sofrimento inacabável, sem saber se voltaria a ver seu parente.
E então veio Médici, e os anos mais duros da ditadura começara. As repressões e censuras começam a ficar escandalosas, jornais, teatros, livros, filmes começam a ser censurados. O DOI-CODI, Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna, órgão que "interrogava" os "subversivos", interrogava está entre aspas (“) pois não considero tortura e humilhação uma interrogação. E a milícia cresce no Brasil. Mas, mesmo com o lado social totalmente perdido, o Brasil vivia o milagre econômico, a economia do país crescia muito chegando aos 12% ao ano, e o governo investia massivamente em infra-estrutura, o que custaria muito caro ao país anos mais tarde com a dívida externa. E antes de nos acostumarmos com o delicioso crescimento econômico a crise do petróleo veio que afundou o Brasil, que importava 80% do petróleo que consumia, se não me engano.
Então o general Ernesto Geisel assume, e a decadência militar tem inicio, que coincide com o fim do milagre econômico, e a conseguinte insatisfação por parte do povo com as taxas inflacionárias, Geisel põe fim no AI-5 e o Brasil se encaminha para uma redemocratização. Contudo, a linha dura não satisfeita começa uma repressão clandestina aos opositores de esquerda.
Por fim, Figueredo assume o país, com a famosa frase "Prefiro sentir o cheiro de cavalo do que o cheiro do povo", o auge enfraquecimento militar. E muitos dizem que o governo militar só não acabou com Geisel para não ficar na memória do brasileiro a crise do petróleo e o fim do milagre econômico como culpa dos militares. Enfim, Figueredo solta a Lei de Anistia, que perdoava todos os crimes políticos de 1961 até 1979; ou seja, os militares acabavam de ganhar um "passe livre da prisão" eles estavam concedendo um perdão para eles mesmo, sem pensar nas milhares de pessoas que sofreram de maneiras inimagináveis. E o pluripartidarismo volta a ser permitido, e Tancredo Neves e seu vice José Sarney são eleitos como primeiros presidentes civis após o golpe.
O que eu quero dizer contando essa história é o seguinte: Antes o brasileiro não podia falar o que pensava. Era preso por isso, eu, por exemplo, seria preso, torturado e morto se tivesse esse blog na época. E depois da ditadura muitos pensavam que o Brasil agora "iria pra frente". Mas o povo parou de escutar, os anos em que muitos lutaram para poder falar foram esquecidos. Hoje só queremos festa. É claro que a festa e a farra são essenciais, mas devemos parar para pensar como as coisas andam hoje em dia. Para mostrar que não foi em vão a vida de milhares de jovens que morreram na época da ditadura tentando falar. Mas o jovem não escuta, salvo raríssimas exceções. Vamos nos unir, e concretizar o que já queriam lá atrás. Vamos fazer deste um Brasil melhor, e depois um mundo melhor. Você pode fazer isso é só acreditar, e fazer por onde. Estude mesmo que não goste, leia, aprenda. Se nos unirmos faremos a diferença.
11 comentários:
ai que difícil reler o post todo pra comentar HUAEUHAEHE :)
meu avô era militar nessa época, minha vó diz que ele até conhecia os presidentes e talz. tenso. huehueh mas ele era gente fina ;]
enfim... sinceramente eu nao entendo essa história de repressão e batalhas e uso da força etc etc. quando eu estudo história e vejo aquele monte de guerra por coisa tão 'pequena', coisas sem as quais eles podiam viver tranqüilos, eu sinceramente não consigo entender. Não é melhor jogar uma bomba no lider político em questão, em vez de matar o povo? Muito mais prático. He. A não ser pelo fato de criar um mártir e papapa e de as pessoas se sensibilizarem muito mais com uma personalidade qualquer do que com um número, o que quer que ele indique. Mas não é o caso aqui.
Eu acho que a grande questão da época da ditadura é: todo mundo quer o que não pode ter. As pessoas sempre dão mais valor às coisas quando perdem, é inevitável. E a partir do momento que não se podia mais reclamar, todo mundo quis reclamar. O negócio é que hoje em dia ninguém 'precisa' disso. Todo mundo 'se vira' sozinho, só reclama do preço do arroz e olhe lá. É o que eu acho: as pessoas tão ficando com pensamentos cada vez mais banalizados - não só por pensar em bobagem, mas também por não ter consistência no que pensa. E todos nós estamos inclusos nisso, por enquanto.
Sobre o finzinho do post... Esses dias eu fui procurar umas comunidades no orkut com cursos da unb, pra saber que curso escolho, huaeuhea. Tipo, saber como é na prática. E cara... A coisa mais rara nessas comunidades é um tópico sobre qualquer coisa do curso. Acho que até na da nossa sala tem mais coisa ligado ao que a gente aprende, ahuae. E é de se esperar que, na faculdade, as pessoas se importem mais! Mesmo com a farra e tudo...
Uma coisa na qual eu penso com certa freqüência é no instinto humano. Quer dizer... Será que maldade é um instinto? Maldade no sentido de querer sempre se impor, querer ganhar em tudo a qualquer preço. Será que a humanidade algum dia vai conseguir superar isso? Eu sei que pode parecer que tá fugindo do tema, mas acho que não. Porque essa repressão toda é uma forma de violência e até um efeito do imperialismo, né...
Que maravilha, Caio! Você escreve super bem, tem posicionamento crítico e tomada de posição. Veja que as boas leituras estão acontecendo e que você está realmente contextuakizadao no seu tempo e preocupado com os problemas que assolaram e assolam o mundo.
Parabéns!
Beijo, Tia Aíla
(Fortaleza)
Manda mucho
Caio, uma sugestão: configure o blog pra abrir os comentários numa nova janela, fica mais fácil pra ler o seu post e o comentário ao mesmo tempo, em janelas diferentes ;)
Nem li esse direito, depois volto aqui pra comentar. Abraço!
Maiara, o homem não tem instintos, nós temos livre arbítrio sobre nossos impulsos. Maldade há em toda parte, por escolha daqueles que a praticam.
Um dos reveses da ditadura é essa fraqueza, essa inconsistência da mídia atual, e as debilidades no ensino público. Para controlar melhor a população, nada melhor que lhe tirar sua maior arma, a informação. Estamos até hoje capengando para nos reerguermos, sem perceber os reflexos das políticas totalitárias daquele tempo.
Essa conclamação aos brados populares é algo que pode surtir efeito, mas não devemos apostar no povão pra mudar. Pra ele, já tá bom demais, pq é isso que ele ouve de quem o manipula.
Todo animal tem instintos, a diferença é que os humanos podem ir contra ele.
Não, instinto é algo inconsciente, automático e fisiológico. O que o homem tem é impulso: consciente, voluntário e psicológico.
Se o homem não tem instintos, então o que faz o ter uma ereção quando vê uma mulher nua? O que faz alguém fazer careta quando sente cheiro de vômito? O que faz alguém piscar quando um objeto vem na direção do seu olho?
Como você mesmo disse, "instinto é algo inconsciente, automático e fisiológico". Meus exemplos se encaixam na descrição.
O homem é o único animal, além do tigre, que mata por prazer, e não só por necessidade. É o único, além do golfinho, que faz sexo por prazer, e não só por necessidade. Embora sejamos parcialmente racionais, somos animais e temos instintos como qualquer outro.
Morpheus, sinto muito se sua ereção é uma reação fisiológica... Uma coisa é estímulo sexual, outra é resposta... O que já implica complexidades que vão muito além da mera fisiologia.
E mais, há uma diferença básica entre reflexo e instinto. O reflexo é produto da ação nervosa na medula espinhal, e não no encéfalo, onde o instinto se processa.
Instinto é inconsciente e automático, mas nem tudo que é inconsciente e automático é também instinto.
Alguém perguntou pro tigre se ele sente prazer?
E pro golfinho?
As estruturas linguísticas são tão diferentes entre homens e golfinhos (quanto mais tigres...) que é de se supor que as psicológicas também... Essas comparações me parecem mais uma aproximação grosseira por parte de documentários para seduzir espectadores do que uma interpretação científica séria do que acontece.
Ok, eu eliminei o "instinto" da vida humana, desculpe. Quis dizer apenas que o córtex cerebral humano já é capaz de administrar sua vida. Logo, o instinto é reprimido e vem o aspecto racional da vida do homem. Lembra-se das aulas de biologia sobre SNC? As camadas mais externas do cérebro exercem maior influência no comportamento geral, chegando a "subjugar" as camadas mais inferiores, que compartilhamos com vários outros animais 'cerebrados'. Dominamos nossos lados peixe, réptil... et coetera.
Daí, não há sentido em colocar a "maldade" como algo instintivo.
Ela é decorrente de processos psicológicos a se estudar. Não dá pra justificar a criminalidade por uma maldade inerente ao ser humano, ou causada pela pobreza.
Isso é banditismo desavergonhado.
Abraços.
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